terça-feira, 29 de maio de 2007

Tenhos Fases

Fase de ser amiga, fase de ficar só, fase de ter um tempo, fase de observar e esperar...
...mas sou impaciente, tenho pressa!
Pressa de felicidade...pressa de sucessos...pressa de sonhos bons realizados...Estou no caminho!!

Descobri que o tempo é precioso!
A vida é danada mesmo, quando achamos que os trilhos estão traçados...mudamos a rota...
buscamos novas companhias, amizades e caminhos diferentes!!

Saudades? Tenho muitas...boas lembranças, lições, experiências: erros e acertos!! Mais acertos felizmente!!

Mas se às vezes fico triste, choro...
ouvi dizer q chorar faz bem, que purifica a alma!
O corpo fica leve...o sono pesado!

Bom mesmo é gargalhar...contar piada, e ouvir o barulho da chuva...
É sentir frio e beber vinho na frente da lareira!!
É dirigir sem sentir medo...É dançar e cantar no banho!

Tenho fases...
Felizzzzzzzzzzzz!! Seguraaaa!!
Redigindo as pautas da minha vida, selecionando as melhores fotos, guardando no coração o que me faz bem...fazendo backups ainda, mas a lixeira está vazia, definitivamente
não há o que jogar fora!

Cecília Meireles
“Tenho fases como a lua, fases de andar escondida, fases de vir para a rua...Perdição da minha vida! Tenho fases de ser tua,tenho outras de ser sozinha. Fases que vão e que vêm no secreto calendário queum astrólogo arbitrárioinventou para o meu uso. E roda a melancolia seu interminável fuso!Não me encontro com ninguém (tenho fases como a lua) No dia de alguém ser meu, não é dia de eu ser sua... E, quando chega esse dia, o outro desapareceu..."

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Pensamentos Anônimos no Trem

Ontem indo para a universidade, a van alinhou-se com o Trensurb num determinado ponto do caminho. Como sempre na ida para a aula e cansada de mais um dia de trabalho, acabo adormecendo na viagem como muitos dos estudantes da noite. Ao ouvir um estouro, acordei assustada, mas não era nada a não ser o trem que chegava ao lado da van na BR. Fiquei a observar o comportamento das pessoas dentro dos vagões. O tempo em que o carro ficou alinhado com o trem foi curto, mas suficiente pra que eu identificasse diferentes comportamentos.
Uma moça ruiva, na janela fixava os olhos em minha direção, como se estivesse observando a van, com a mão na boca e apoiada com o braço na janela, com um semblante preocupado, percebi que ela analisava o nada, nem sequer estava enxergando a van. Noutro vagão, um casal de namorados; ele com cabelos cacheados e rosto fino, parecia bravo, e ela, bonita, olhos claros, falava gesticulando como se estivesse discutindo. Este casal chamou minha atenção, estavam sentados em frente a outro casal: beijos e abraços, carinhos desavergonhados causaram uma inveja momentânea em mim. Senti-me como se estivesse invadindo a privacidade daquelas pessoas, mas na verdade se eu estivesse no trem, naquele momento, estaria observando também ou sendo observada.
Num outro vagão percebi a tristeza uma mulher que aparentava ter uns quarenta anos, chorava em silêncio. Ninguém parecia notar a tristeza dela, cada pessoa ali dentro do vagão parecia inerte a situação. Um homem, lendo um jornal ao lado dela, parecia estar encantado com as notícias, nem piscava. Outro dormindo, balançava o pescoço a cada movimento do trem, acordava assustado e pescoço voltava a cair quando ele retornava ao cochilo. E a mulher ali chorando. Eu, na van, observando e sentindo, absorvendo a sensação melancólica do último vagão do trem, que em seguida passou a frente e interrompeu minha análise. Após uns segundos ainda fiquei a pensar sobre o motivo que possivelmente faria aquela mulher chorar e estar com um olhar tão triste.
Hoje, quando vim para o computador redigir meu texto, decidi detalhar os sentimentos e comportamentos daquelas pessoas não sei explicar o porquê. Fiquei um pouco envolvida por aquelas expressões. O casal feliz e o casal estressado; o homem lendo o jornal inerte a situação da mulher ao lado que chorava; a ruiva preocupada e o cara que lutava contra o sono; todos me fizeram analisar os diferentes comportamentos das pessoas no cotidiano. Aquele era só mais um trem que ia de Porto Alegre a São Leopoldo. Quantas vezes o trem vai e volta neste percurso!? E quantas pessoas entram e saem nas estações? Quantos pensamentos, sentimentos passam pelos vagões do trem diariamente? Incalculável, mas mágica essa história de observar os comportamentos e os sentimentos. Agora sempre que eu pegar o trem, depois de ontem, terei a sensação de estar sendo observada como eu observei aquelas pessoas.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

8 ou 80

sussurros...gritos
risos...choros
abraços...beijos
amigos...namorados

Em proporção tudo é facilmente compreensível e até que ninguém fale o contrário não somos tão complicados assim.
O oito e o oitenta das minhas histórias estão baseados na certeza de dizer, sentir, admitir que, às vezes amo demais, às vezes erro demais ou "demenos" ...

Comigo é assim - oito ou oitenta, nem muito ao céu, nem muito ao inferno.
Digamos na medida certa - é como adoçar o café!

O riso é para quando acertamos a medida.
O choro é para quando erramos.

Os Beijos para comemorar, abraços para proteger o momento;
e entre amigos, de oito à oitenta, nesta escala de números...depois de sussurros, gritos, beijos e abraços - imaginemos agora tudo que pode acontecer!!



Em homenagem aos meus delírios:

fragmentos do poema "traduzir-se" Ferreira Gular.

"Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte
estranheza e solidão.
Uma parte de mim
pesa,pondera:
outra parte
delira."

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Fica aqui registrado um texto escrito há alguns meses.
Uma mistura de saudade e amor...pensamentos soltos...
"Era ainda jovem demais para saber que a memória do coração elimina as más lembranças e enaltece as boas, e que graças a esse artificio conseguimos suportar o passado."
Gabriel Garcia Márquez (O Amor nos Tempos do Cólera)

Lágrimas
Por Michelle Raphaelli

Não tenho um ombro pra chorar...
nem amizades confiantes para contar ...
que o coração também chora quando ama.
Portanto não se preocupe comigo
se cada vez que eu chorar,
parecer que meus olhos vão fechar...
porque o choro acumula,
as lágrimas ficam retidas sempre que sinto vontade de desabafar...
tenho a certeza de que alguém deve me entender,
só queria que esse alguém fosse você.
E neste espaço tão curto de tempo,
já percebi,que o mesmo amor que sinto
não está em ti.
Então a vida diz para eu seguir
seguir..seguir...seguir
lembro do seu sorriso
ainda como amigo e meu amor
vai diminuindo...
diminuindo...diminuindo...diminuindo
lembro do seu coração lindo
procuro nele o meu amor
mas ele foi sumindo
sumindo...sumindo...sumindo
E neste espaço tão curto de tempo,
fui percebendo
que meu amor por ti
foi desaparecendo...
desaparecendo...desaparecendo...desaparecendo.

quinta-feira, 5 de abril de 2007

A Mente Livre

Em meio às metáforas, idéias vão surgindo. E a mente livre abre caminho para uma explicação óbvia. Esses dias na van da faculdade, troquei algumas idéias com certa “criatura” que diz ser totalmente programado. Na real, o cara não usou o termo: “Sou programado!”mas as palavras dele enquanto se descrevia me fizeram pensar: “bah, queria ser assim!”. Ele é totalmente objetivo, não perde tempo com bobagens e ocupa a mente com tudo de mais produtivo que seu ciclo de vida oferece cotidianamente. Aproveita o tempo da van para ler, nas raras vezes em que conversa com os companheiros de viagens seus temas são sempre analíticos e um tanto questionadores. Nota-se uma vontade de incluir em cada estória um dado, uma informação extra.
E eu sempre tão hilária nas minhas colocações me senti um tanto quieta naquele dia, representei a ouvinte e lembrei em silêncio de uma frase que criei no perfil do meu orkut: “Tudo que difere do todo é no mínimo questionador e incentiva a opinião crítica.” Observei e confesso que tive o cuidado na hora de pronunciar meus pensamentos. Na verdade, aceitei tudo que ele falou sobre ter um diferencial e substituir ações não produtivas por atividades mais interessantes e positivas – como a leitura, planejamento, organização. Depois parei para pensar e percebi que ele perde tempo sim com algumas tentativas de acertar sempre. Perde a diversão e a oportunidade de gargalhar por bobagens, relaxar. A vida não pode ser tão séria. É produtivo saber um pouco de tudo, mesmo que pareça futilidade. Alguns assuntos por menores em importância nos fazem refletir sobre o comportamento em diversas situações – basta direcionar a mente para tirar deste ou daquele “evento” algo que acrescente experiência.
Costumamos guardar na memória elementos que poderíamos guardar no bolso ou no caderninho de notas. Me expliquem, porque temos a mania de decorar telefones? Basta armazenar o número na memória do celular. Se pararmos para analisar – vamos nos perguntar tantos outros exemplos de armazenamentos inúteis. A mente lotada – imaginem um sinal de alerta na sua testa piscando – “Não há espaço de memória!” - metáforas!! Incrível como uma simples troca de idéias na van me fez refletir – certamente não perdi tempo e nem ocupei a mente com bobagens – esvaziei minha lixeira, recuperei arquivos importantes que estavam no oculto e deletei as incertezas e mediocridades – abri minha caixa preta e a massa cinzenta ficou cor-de-rosa. Com a mente livre, me sobrou espaço para armazenar o meu projeto de felicidade.