sábado, 7 de julho de 2007

Negativando...silenciando...amando!

Sátira de um amor impossível...
Gosto de você mas não muito, não ao ponto de enlouquecer, não ao ponto de te querer tanto.Não com a mesma intensidade de antes, não quero que pense que te amo ainda.Não quero que pense que estava te esperando, não quero que desconfie dos planos que tenho.Não...não...não... Sigo “negativando”...não acredito, não planejo, não amo mais! Não tenho mais vontades, desejos e sonhos.
Tudo mentira!!Minto para meu coração, escondo dele os valores reais de um simples beijo seu, de um simples abraço...dos teus olhos na minha direção. Omito dele as sensações mais quentes e tento disfarçar o efeito afrodisíaco que o cheiro da tua respiração tem sobre mim.
Eu te adoro cada vez mais...como já dizia a música de Marisa Monte. “Te quero livre também, como tempo vai e vento vem...” Os sentimentos mudaram e te amar a distância tem sido uma emoção e tanto, os sentidos devorados pelo tempo e a razão livre para ser surpreendida a todo momento.
Quero morrer de amor, em doses homeopáticas, sentir cada arrepio na espinha...e se houver choro que seja de felicidade. A ilusão de ter você por perto...aquieta o coração e ameniza a saudade. Nos sonhos, vou te buscar na distância real em que estamos, muito longe e em frequências de pensamentos igualmente distantes. A intuição me manda seguir e onde quer que eu vá...levo você no olhar.
Tenho vontade de publicar teus segredos...e os meus, queria gritar para todo mundo saber q te amo ainda, mas não posso. Vou silenciar, ser ouvinte...sensitiva, medrosa mas nunca covarde. Vou te proteger no meu silêncio, mas estarei aqui sempre – atenta ao pulsar do coração, ao som do teu riso.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Sensibilidade Compensada

Perfil de Camila Lopes Rodrigues Nunes

A paixão pelo rádio trouxe Camila Lopes Rodrigues Nunes para Universidade, e o curso de Jornalismo na Unisinos ganhou uma aluna aplicada. Desde a infância ela ouvia rádio e se identificava com o que as ondas sonoras apresentavam aos seus sentidos. Talvez pela facilidade de imaginar, sensibilidade aguçada e pelo fascínio de ter alguém relatando os fatos, já que Camila é portadora de deficiência visual desde os três meses de vida.
O fato de não enxergar não impede Camila de levar uma vida tumultuada. Ao contrário do que se pode imaginar ela acredita que a aproximação e o contato com as pessoas precisa também partir do deficiente visual. “É importante estar ativo e se mostrar” – diz ela. Camila contou que andar de bicicleta pelas ruas do bairro Menino Deus em Porto Alegre nunca foi problema e as brincadeiras com os amigos, vizinhos nunca foram impedidos pela mãe. Pretende começar a praticar capoeira, pois se acha um pouco sedentária na prática de exercícios, mas gosta de sair para baladas e gostaria de ter mais convites e companhias para essa prática.
Camila foi alfabetizada em Braile antes de entrar na primeira série, em apenas 6 meses no Centro Luiz Braile. E todas as suas experiências com as questões de estudos foram positivas, desde relacionamentos com professores, colegas e agora na Universidade no quarto semestre do curso. Ela conta que alguns professores se esforçam para transmitir conteúdos das disciplinas. Há no curso disciplinas com muitos recursos visuais como, por exemplo, a disciplina de telejornalismo ou planejamento gráfico.
Aos 25 anos, filha de pais separados e com quatro irmãos, Camila vê sua mãe, Suely, como uma amiga mais que presente. É a mãe que a ajuda na compra das roupas e a organização do seu roupeiro. Como Camila nasceu prematura, permaneceu por alguns dias na encubadora, sua mãe acredita que o problema visual está ligado as luzes fortes deste equipamento, já que não há na família outros casos de deficientes visuais.
Camila fez algumas cirurgias na tentativa de reverter o quadro, e até os 14 anos ainda havia chance, pois ela tinha sensibilidade de luz, ela explica que houve erro na primeira cirurgia feita ainda quando era bebê, e este erro afetou o nervo óptico. A representatividade de cores é descrita por ela com certa precisão. Camila define conceitos de cores embora não consiga saber exatamente que tonalidade tem o preto, mas sabe dizer que é uma cor escura e consegue perceber vultos.
A falta da visão traz a percepção aguçada de outros sentidos. Camila tem ótima memória, gosta de perfumes, e sua audição é espetacular. A compensação pela falta da visão está nesses pequenos detalhes que passam um pouco mais despercebidos por quem possui este sentido. Há sem dúvidas compensação de sentidos.

terça-feira, 29 de maio de 2007

Tenhos Fases

Fase de ser amiga, fase de ficar só, fase de ter um tempo, fase de observar e esperar...
...mas sou impaciente, tenho pressa!
Pressa de felicidade...pressa de sucessos...pressa de sonhos bons realizados...Estou no caminho!!

Descobri que o tempo é precioso!
A vida é danada mesmo, quando achamos que os trilhos estão traçados...mudamos a rota...
buscamos novas companhias, amizades e caminhos diferentes!!

Saudades? Tenho muitas...boas lembranças, lições, experiências: erros e acertos!! Mais acertos felizmente!!

Mas se às vezes fico triste, choro...
ouvi dizer q chorar faz bem, que purifica a alma!
O corpo fica leve...o sono pesado!

Bom mesmo é gargalhar...contar piada, e ouvir o barulho da chuva...
É sentir frio e beber vinho na frente da lareira!!
É dirigir sem sentir medo...É dançar e cantar no banho!

Tenho fases...
Felizzzzzzzzzzzz!! Seguraaaa!!
Redigindo as pautas da minha vida, selecionando as melhores fotos, guardando no coração o que me faz bem...fazendo backups ainda, mas a lixeira está vazia, definitivamente
não há o que jogar fora!

Cecília Meireles
“Tenho fases como a lua, fases de andar escondida, fases de vir para a rua...Perdição da minha vida! Tenho fases de ser tua,tenho outras de ser sozinha. Fases que vão e que vêm no secreto calendário queum astrólogo arbitrárioinventou para o meu uso. E roda a melancolia seu interminável fuso!Não me encontro com ninguém (tenho fases como a lua) No dia de alguém ser meu, não é dia de eu ser sua... E, quando chega esse dia, o outro desapareceu..."

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Pensamentos Anônimos no Trem

Ontem indo para a universidade, a van alinhou-se com o Trensurb num determinado ponto do caminho. Como sempre na ida para a aula e cansada de mais um dia de trabalho, acabo adormecendo na viagem como muitos dos estudantes da noite. Ao ouvir um estouro, acordei assustada, mas não era nada a não ser o trem que chegava ao lado da van na BR. Fiquei a observar o comportamento das pessoas dentro dos vagões. O tempo em que o carro ficou alinhado com o trem foi curto, mas suficiente pra que eu identificasse diferentes comportamentos.
Uma moça ruiva, na janela fixava os olhos em minha direção, como se estivesse observando a van, com a mão na boca e apoiada com o braço na janela, com um semblante preocupado, percebi que ela analisava o nada, nem sequer estava enxergando a van. Noutro vagão, um casal de namorados; ele com cabelos cacheados e rosto fino, parecia bravo, e ela, bonita, olhos claros, falava gesticulando como se estivesse discutindo. Este casal chamou minha atenção, estavam sentados em frente a outro casal: beijos e abraços, carinhos desavergonhados causaram uma inveja momentânea em mim. Senti-me como se estivesse invadindo a privacidade daquelas pessoas, mas na verdade se eu estivesse no trem, naquele momento, estaria observando também ou sendo observada.
Num outro vagão percebi a tristeza uma mulher que aparentava ter uns quarenta anos, chorava em silêncio. Ninguém parecia notar a tristeza dela, cada pessoa ali dentro do vagão parecia inerte a situação. Um homem, lendo um jornal ao lado dela, parecia estar encantado com as notícias, nem piscava. Outro dormindo, balançava o pescoço a cada movimento do trem, acordava assustado e pescoço voltava a cair quando ele retornava ao cochilo. E a mulher ali chorando. Eu, na van, observando e sentindo, absorvendo a sensação melancólica do último vagão do trem, que em seguida passou a frente e interrompeu minha análise. Após uns segundos ainda fiquei a pensar sobre o motivo que possivelmente faria aquela mulher chorar e estar com um olhar tão triste.
Hoje, quando vim para o computador redigir meu texto, decidi detalhar os sentimentos e comportamentos daquelas pessoas não sei explicar o porquê. Fiquei um pouco envolvida por aquelas expressões. O casal feliz e o casal estressado; o homem lendo o jornal inerte a situação da mulher ao lado que chorava; a ruiva preocupada e o cara que lutava contra o sono; todos me fizeram analisar os diferentes comportamentos das pessoas no cotidiano. Aquele era só mais um trem que ia de Porto Alegre a São Leopoldo. Quantas vezes o trem vai e volta neste percurso!? E quantas pessoas entram e saem nas estações? Quantos pensamentos, sentimentos passam pelos vagões do trem diariamente? Incalculável, mas mágica essa história de observar os comportamentos e os sentimentos. Agora sempre que eu pegar o trem, depois de ontem, terei a sensação de estar sendo observada como eu observei aquelas pessoas.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

8 ou 80

sussurros...gritos
risos...choros
abraços...beijos
amigos...namorados

Em proporção tudo é facilmente compreensível e até que ninguém fale o contrário não somos tão complicados assim.
O oito e o oitenta das minhas histórias estão baseados na certeza de dizer, sentir, admitir que, às vezes amo demais, às vezes erro demais ou "demenos" ...

Comigo é assim - oito ou oitenta, nem muito ao céu, nem muito ao inferno.
Digamos na medida certa - é como adoçar o café!

O riso é para quando acertamos a medida.
O choro é para quando erramos.

Os Beijos para comemorar, abraços para proteger o momento;
e entre amigos, de oito à oitenta, nesta escala de números...depois de sussurros, gritos, beijos e abraços - imaginemos agora tudo que pode acontecer!!



Em homenagem aos meus delírios:

fragmentos do poema "traduzir-se" Ferreira Gular.

"Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte
estranheza e solidão.
Uma parte de mim
pesa,pondera:
outra parte
delira."

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Fica aqui registrado um texto escrito há alguns meses.
Uma mistura de saudade e amor...pensamentos soltos...
"Era ainda jovem demais para saber que a memória do coração elimina as más lembranças e enaltece as boas, e que graças a esse artificio conseguimos suportar o passado."
Gabriel Garcia Márquez (O Amor nos Tempos do Cólera)

Lágrimas
Por Michelle Raphaelli

Não tenho um ombro pra chorar...
nem amizades confiantes para contar ...
que o coração também chora quando ama.
Portanto não se preocupe comigo
se cada vez que eu chorar,
parecer que meus olhos vão fechar...
porque o choro acumula,
as lágrimas ficam retidas sempre que sinto vontade de desabafar...
tenho a certeza de que alguém deve me entender,
só queria que esse alguém fosse você.
E neste espaço tão curto de tempo,
já percebi,que o mesmo amor que sinto
não está em ti.
Então a vida diz para eu seguir
seguir..seguir...seguir
lembro do seu sorriso
ainda como amigo e meu amor
vai diminuindo...
diminuindo...diminuindo...diminuindo
lembro do seu coração lindo
procuro nele o meu amor
mas ele foi sumindo
sumindo...sumindo...sumindo
E neste espaço tão curto de tempo,
fui percebendo
que meu amor por ti
foi desaparecendo...
desaparecendo...desaparecendo...desaparecendo.

quinta-feira, 5 de abril de 2007

A Mente Livre

Em meio às metáforas, idéias vão surgindo. E a mente livre abre caminho para uma explicação óbvia. Esses dias na van da faculdade, troquei algumas idéias com certa “criatura” que diz ser totalmente programado. Na real, o cara não usou o termo: “Sou programado!”mas as palavras dele enquanto se descrevia me fizeram pensar: “bah, queria ser assim!”. Ele é totalmente objetivo, não perde tempo com bobagens e ocupa a mente com tudo de mais produtivo que seu ciclo de vida oferece cotidianamente. Aproveita o tempo da van para ler, nas raras vezes em que conversa com os companheiros de viagens seus temas são sempre analíticos e um tanto questionadores. Nota-se uma vontade de incluir em cada estória um dado, uma informação extra.
E eu sempre tão hilária nas minhas colocações me senti um tanto quieta naquele dia, representei a ouvinte e lembrei em silêncio de uma frase que criei no perfil do meu orkut: “Tudo que difere do todo é no mínimo questionador e incentiva a opinião crítica.” Observei e confesso que tive o cuidado na hora de pronunciar meus pensamentos. Na verdade, aceitei tudo que ele falou sobre ter um diferencial e substituir ações não produtivas por atividades mais interessantes e positivas – como a leitura, planejamento, organização. Depois parei para pensar e percebi que ele perde tempo sim com algumas tentativas de acertar sempre. Perde a diversão e a oportunidade de gargalhar por bobagens, relaxar. A vida não pode ser tão séria. É produtivo saber um pouco de tudo, mesmo que pareça futilidade. Alguns assuntos por menores em importância nos fazem refletir sobre o comportamento em diversas situações – basta direcionar a mente para tirar deste ou daquele “evento” algo que acrescente experiência.
Costumamos guardar na memória elementos que poderíamos guardar no bolso ou no caderninho de notas. Me expliquem, porque temos a mania de decorar telefones? Basta armazenar o número na memória do celular. Se pararmos para analisar – vamos nos perguntar tantos outros exemplos de armazenamentos inúteis. A mente lotada – imaginem um sinal de alerta na sua testa piscando – “Não há espaço de memória!” - metáforas!! Incrível como uma simples troca de idéias na van me fez refletir – certamente não perdi tempo e nem ocupei a mente com bobagens – esvaziei minha lixeira, recuperei arquivos importantes que estavam no oculto e deletei as incertezas e mediocridades – abri minha caixa preta e a massa cinzenta ficou cor-de-rosa. Com a mente livre, me sobrou espaço para armazenar o meu projeto de felicidade.